BILAC NÃO VOA DE ASA-DELTA

por Marcelo Mirisola*

"Os vikings eram um povo que vivia do mar"
Evandro Mesquita, em 'Menino do Rio', 1981

Quer dizer que ele não mata peixe?!
O noivo é mergulhador. Faz mergulho defensivo(?!). Ou ecológico, sei lá. Eu disse pra ela - Claudinha, a noiva - que havia um bom tempo os chineses (ou teriam sido os vikings?) inventaram um bom negócio chamado aquário. Uma porra de caixinha de vidro capaz de realizar 100% do modesto e insosso desejo do seu noivo: olhar peixinhos nadando. Eu também imaginei um aquário como ornamento na churrascaria de Sula Miranda. Ou melhor, "um aquário para o cumprimento de meu desiderato".
1- ela não transava "churrascaria";
2- não sabia o que era "desiderato";
3- recuou diante dos ornamentos de Sula. Em primeiro lugar eu disse pra ela esquecer "Sula & os Aquários" depois, expliquei que "desiderato" significava minha vontade de comê-la, um objetivo.

Claudinha, a noiva do mergulhador, entendeu que deveria começar chupando minha pica. Eu quis "somatizar". Em seguida, não obstante o fracasso do meia-nove, partimos para o globo coreano (pedi para ela me chamar de "Lula") e nos arretamos basicamente feito dois chimpanzés, um cigarro que apaguei na bunda dela. Tive ímpetos de assassiná-la, falei alguma merda em inglês e, finalmente, atendo aos pedidos da noiva, enfiei meu pau "por detrás" - bem devagarinho.

A culpa é do Evandro Mesquita. André de Biasi ficou careca, bem feito. Tem o Sérgio Mallandro e o Ricardinho Graça Mello. Eu defendo o circo pros quatro. Eu quero é que esses caras que vôam de asa-delta, dependuram-se em montanhas, os tatuados em geral e os granoleiros, se esborrachem, eles que se fodam.

O problema é que o litoral brasileiro é imenso.

Que se fodam os jipeiros e os fãs de Bob Marley. A maldita adrenalina está acabando com a punheta. O cara, ao invés de punhetar, bate frutas - alheio à morbidez original e tesuda da alcova - cereais e iogurte no liquidificador. Ouve isso, Claudinha:
- O derramamento em si ("estou falando de masturbação, baby").

Bilac jamais voaria de asa-delta. O noivo da Claudinha está no terceiro ano da faculdade de educação física. Tem uma Parati 98 e o Vídeo do Tico & Teco Padaratz Ensinando os Fundamentos do Surf. Enfim, merece veementemente ser traído. Outra coisa. O cara gosta de levar dedo no cu.

Claudinha vazia. Claudinha tesuda.

O voto deles tem o mesmo valor do meu voto. Ou será que Claudinha é mal preenchida e tesuda? A questão é incensá-la para despertar ainda mais o vazio e o tesão dentro dela. Mas não deixar a coisa ficar ridícula tipo "nova mulher, nova fase-cabeça". O noivo, além de corno, surfista e granoleiro, "transa respiração" e está construindo uma estufa para cultivar alfaces e mandioquinhas hidropônicas. Isso quer dizer "orgânico", "sem agrotóxico", "corno".
Depois dou um pé-na-bunda nela. Mando ela ir enfiar as mandioquinhas hidropônicas no cu do noivo. Ela que vá para o inferno. Ou que enfie as mandioquinhas no próprio rabo. Sei lá!
O negócio, baby, é desembargar o "foda-se".

Ela se diz "amadurecida" por minha causa! Eu, o velho sábio da tevê, ainda vou comprar uma escopeta e detoná-la. Oh, Deus! Apenas não sei como arrumar saco, talento (e amor?) para tudo isso.

O melhor é exigir os cornos. Ela vai ter de trair o granoleiro para foder comigo. Eia! Sus! Sus!
O expurgo pelo mal. Fui educado pela televisão. Uma vingança contra os especiais da Globo, particularmente contra Regina Duarte e Denis Carvalho, acho que sim. Sobretudo minha perfídia contra a "Som Livre" dos 80's: a grande responsável - é bom que se diga - pela trilha sonora dessa merda toda.

Eu por trás, faturando aquele rabão:
- ... garota eu vou pra Califórnia ...
O cara tem um Jipe.

Outra coisa. Os vikings, além de viver do mar, eram chifrudos... e cultivavam alfaces, cenouras e mandioquinhas hidropônicas em estufas (já naquele tempo...). Ou teriam sido os chineses? Mas que merda! Quem é que inventou a porra da hidroponia?
- O meu destino é ser star - aí usei o torniquete.
- Revoltado - foi do que ela me acusou.

Merda! Não tava a fim de dar ensejo a alfajores, ervilhas e projetos alternativos, então eu disse pra ela:
- Mas o cu você gosta de dar pra mim? Não gosta, Claudinha?

O cara faz trilhas. E agora inventou de fumar maconha no cachimbo. Eu dei o troco:
- Sabe, baby. Eu queria ter um amorzinho hippie pra mim.

Ela disse que podia deixar crescer os pêlos do sovaco. Mas impôs uma condição.
- Viver pra mim, largar o granoleiro.
Eu disse que não, nem fudendo.

O paulistano Marcelo Mirisola, 33, é autor de 'Fátima fez os pés pra mostrar na choperia' (ed. Estação Liberdade) e acaba de lançar 'O Herói Devolvido', ed. 34)
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