TRIP Desde pequeno já levava jeito com as mulheres...
MURILO Sempre fui bem. Com 11 anos, disputava com um amigo pra namorar a mais bonita da escola. Lógico que era só mão dada. Sempre fui bem, nunca fui o feioso. Só o pior aluno (risos).
  "FUMEI MACONHA. ACHO UM ABSURDO, UMA BESTEIRA ALGUÉM SER CONTRA O USO DA MACONHA."
TRIP você gosta de beber? Fuma?
MURILO Não fumo e bebo pouco.
TRIP Já tomou drogas?
MURILO Fumei maconha. Foi o máximo que fiz. Sempre tive muito medo de droga. Tive uma educação que dizia que quem fumava maconha era marginal, barra-pesada. "Tinha que ter pena de morte por fumar maconha!" Não é culpa de pai, de mãe, é culpa de uma história de sociedade. Quando eu ia pensar, aos dez anos lá em Niterói, que iria me casar com uma mulher que não fosse virgem?
 
TRIP Além de serrar os dentes para compor um personagem de novela, consta que você, em Os Matadores, do diretor Beto Brant, fez laboratório com um assassino de aluguel. É verdade?
MURILO Foi. Com o Idalmo, que inclusive aparece no filme. Espera aí. (Levanta, vai ao quarto e volta com uma pochete, de onde tira o objeto prateado que joga no colo do repórter.)

TRIP Caraca! É de verdade?
MURILO Isso é uma Magnum 357. De verdade. Já dei um tiro com ela, tem uma patada fortíssima.
TRIP Você já tinha atirado antes?
MURILO Com uma arma que fizesse um estouro tão violento, não (aponta para a janela e puxa o gatilho. Ouve-se o "click" da arma descarregada).

TRIP Pelo visto você e o matador se deram muito bem...
MURILO Ele até falou que se eu tivesse problema com alguém, podia ligar para ele (risos).

 

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Murilo Benício
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TRIP E quanto ao casamento? Você acha que viemos ao mundo para viver sós ou à dois?
MURILO Acho que pra viver à dois. É praticamente impossível, mas isso porque as pessoas são muito intolerantes. É foda casar. Essa coisa de cara-metade não existe. "Pra ficar feliz, basta o mundo amanhecer?" Não! Mas existe gente com quem você tem uma afinidade fora do normal. Mas daí você tem que trabalhar um monte de coisas, aceitar um monte de manias daquela pessoa.
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TRIP Que tipo de moleque você foi? Tímido? Extrovertido?
MURILO Superenturmado. Neste quesito, era o rei. E sempre fui o pior aluno também. Uma vez dei uma entrevista para um jornal de Niterói e foi engraçado. A repórter me perguntou: "Qual a pessoa que você gostaria de rever?" Falei: "A Ciane!". Porque ela era a coleguinha de classe que me passava cola.
    TRIP O fato da Carolina também ter filhos ajudou na aproximação de vocês?
MURILO Claro que sim. Pessoas que têm filho mudam. A gente vive numa sociedade tão errada, tão machista, que até hoje não ensinamos os meninos a serem pais. Enquanto o filho de três anos ganha um Falcon, a menininha ganha um bebezinho, brinca de cozinha... De certa forma, fui buscar isso com o Antônio. A Alessandra (Negrini, mãe de Antônio e ex-mulher de Murilo) me ajudou muito. Ela dizia: "Sei que é difícil, mas se esforça, fica com ele bastante." Quando a gente se separou, ele vinha sozinho aqui pra casa. A gente passava o fim-de-semana junto: só eu e ele. Trocava fralda dele e tudo. Temos uma ligação especial agora, porque eu limpei ele, e ele passou a sentir segurança em mim.
TRIP Você pratica algum esporte?
MURILO Faço aula de ginástica com um personal trainer que foi de uma importância muito grande na minha vida. Ele me fez gostar de ginástica. E você não se cansa: quando acaba, está super relaxado. Agora, pus a Carolina na onda. A gente está numa saudável, sabe? Aqueles papos: "E o seu batimento, hoje, na esteira? Como estava?"
TRIP Já surfou?
MURILO Ah, surfar é muito bom! (Entusiasma-se) Outro dia falei para a Carolina: "Você vai até rir da minha cara, mas estou morrendo de vontade de voltar a surfar". Mas é muito difícil, é um sabão. E até que estava pegando onda bem numa época em que a minha família comprou casa em Cabo Frio. Surfar com os amigos é bacana. Você fica lá sentado à espera de uma onda boa, às vezes dez minutos, de papo... É um barzinho sem chope.
  TRIP Você é a favor ou contra a descriminação da maconha?
MURILO Acho um absurdo, uma besteira alguém ser contra o uso da maconha. Uma vez, uma tia minha veio me dizer, toda preocupada, como se fosse uma coisa de outro mundo, que o filho dela estava fumando maconha. Eu falei pra ela: "Olha, fumar não é nada. Você tem que se preocupar é se ele sabe o que vai ser, o que quer da vida". O pior não é a droga: é a falta de perspectiva.
 
    TRIP A violência urbana preocupa você, que tem um filho de três anos?
MURILO É uma coisa que deixa a gente que tem filho em pânico aqui no Rio. Porque, se fosse eu naquele ônibus que o cara seqüestrou, acho que até me virava. Agora, quando você sabe que tem um filho no mundo... Nada me põe mais medo do que a impossibilidade de ajudar meu filho.