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Murilo se virou. Em 1989, juntou grana e foi pra Califórnia ser artista de cinema. Gagueira curada, não sabia era patavina de Inglês. Em San Francisco lavou chão, limpou vidraça, foi garçom, entregou pizza. Veio passar férias no Brasil e encontrou sol, garotas e um teste na Oficina de Atores da Rede Globo. Virou artista de soap opera e ficou por ali mesmo. Fez teatro, TV e cinema nacional - sempre com a cabeça em Hollywood. Teve um filho com a atriz Alessandra Negrini, separou. Começou a namorar a também atriz Carolina Ferraz. No ano passado, a Fox Searchlight Pictures foi buscar Murilo Benício dentro do apartamento onde mora, em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas. Seu destino, parece, é mesmo ser star. | "EU QUERIA SER ATOR NOS ESTADOS UNIDOS!" | TRIP Verdade que você chegou a ser reprovado no teste, mas a diretora Fina Torres bateu o pé, dizendo que o queria no filme? | [1] Murilo Benício [home] [2] [3] [4] [5] |
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| Carioca de Niterói, 29 anos, caçula de uma família de quatro irmãos homens, Murilo resolveu que seria ator de cinema aos oito anos, durante uma projeção de Luzes da Ribalta, de Charles Chap-lin. Aos dez, atravessou a ponte Rio-Niterói e enfrentou a timidez e a gagueira para estudar no Teatro Tablado. "Quer fazer teatro, balé, o que seja? Te dou o dinheiro", disse o pai, Mário Luís Benício, funcionário do Banco do Brasil no Rio: "Mas saiba que eu vou morrer um dia, e você vai ter que se virar." | TRIP
Você, que acaba de filmar Woman on Top em Hollywood e já tem contrato com
a Fox para outros dois filmes, quer virar o Antonio Banderas brasileiro?
MURILO É muito grande a tentação de ser um ator bem-sucedido lá fora. Porque lá você faz um filme e fica independente para o resto da vida. O cachê da Penélope (Cruz, atriz espanhola que protagoniza o filme ao lado de Benício) já é de 500 mil dólares por filme. No Brasil, se você ganhar bem pra fazer um filme, embolsa 100 mil reais. Não é uma questão de glamour. Pra mim, essa é a pior parte: nem gosto de glamour. O Al Pacino parou de fazer cinema por dez anos porque ia para a África e as pessoas o chamavam de Michael Corleone. Imagina que bosta é isso. Agora, o lado bom é o Antonio Banderas, que está lá há relativamente pouco tempo e já fez seu próprio filme. Você fica bobo de ver a indústria cinematográfica funcionando nos Estados Unidos, mesmo num filme de orçamento baixo (US$ 7 milhões) como esse que fiz - pela Fox Searchlight, a divisão de projetos experimentais de onde eles tiram novos atores para jogar na Fox grande, aquela do Titanic etc. Você vê a preparação, o respeito. (Ergue os olhos para o céu:) Eu queria ser ator nos Estados Unidos! |
MURILO Engraçado, porque eu já tinha oito anos de Globo. Mas o julgamento lá fora é outra coisa. A Fina estava aqui procurando uma pessoa e eu soube do teste. Na época, tinha uma rotina que não repito nunca mais: fazia cinema, teatro e novela juntos. Eu chorava de cansaço. Então, nem quis saber. Minha empresária insistiu que podia ser bacana fazer o teste, que era para a Fox e tal, mas eu disse que não. Um ano depois, surgiu de novo o teste porque a diretora ainda não tinha achado o ator. Ela me viu no Orfeu (do diretor Cacá Diegues) e parece que o Caetano, que a conhecia, falou para ela me chamar de novo. »»» | ![]() |
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