KAOS NECESSÁRIO

Há um ano e meio no ar, o palco do programa Musikaos, da TV Cultura, recebe manifestações artísticas marginalizadas pela grande mídia e sua obsessiva busca pelo ibope. TRIP reuniu, no CD desta edição, algumas das melhores pancadas sonoras que por ali pisaram.

VEJA AQUI: TODAS AS FAIXAS DO CD E UMA SELEÇÃO PRA VOCÊ OUVIR EM REAL ÁUDIO

Quando resolvemos criar o Musikaos, eu, Rogério Brandão e Pedro Vieira sabíamos que tínhamos um Boeing na mão e que vários mísseis viriam em nossa direção. Como nada é fácil na vida, decidimos encarar a missão: vasculhar e trazer à tona nossa cultura marginal. Nosso objetivo é tratar o público e as artes com a devida dignidade, forrando a tela da TV com dança, teatro, artes plásticas, poesia e música. Tudo aquilo que mexe com prazeres sensoriais.

Procuramos levar artistas consagrados em todas as áreas para incentivar os novos talentos. Nosso palco sempre será cedido aos mais ousados e aos inconformados. Não admitimos playback, nem jabá. Nosso tom panfletário é reflexo do fastio com a televisão de baixo calão. Não somos nem temos a pretensão de ser a salvação de porra nenhuma, mas no ponto em que a TV aberta chegou não dava mais para manter os braços cruzados. Que toda tentativa de melhoria na qualidade das programações seja acolhida de braços abertos!

Este CD especial traz algumas bandas bacanas, entre as mais de setenta que pisaram em nosso palco, misturando gêneros e gerações. Diversidade é a palavra de ordem do Musikaos.
Sheik Tosado: força jovem do Recife. Eles revestem sua música com um saboroso tempero brasileiro. O vocalista China tem gabarito.

Autoramas: Gabriel foi do Little Quail, Simone do Dash e Bacalhau do Planet Hemp. A química rendeu um bom primeiro álbum, repleto de sarcasmo. Simplicidade eficiente com pitadas de surf music.

Inocentes: ouço desde os tempos de moleque revoltado. Chamei o Clemente para ser nosso produtor musical pelo respeito que tenho pelos Inocentes. A banda é uma das melhores "patadas" ao vivo. Em minha opinião, um som punk mais para o Clash do que pra Sex Pistols.

Oito: uma banda de São Paulo que acompanho há certo tempo. Foi a melhor que passou pelo Ultrasom MTV na época em que apresentava o programa. Moderna sem ser modernóide.

Mopho: os psicodélicos dos (psico)trópicos. Os manos de Maceió comeram muito Beatles e Mutantes com farinha. Os nomes das músicas dizem tudo: "Uma Leitura Mineral Incrível", "Vamos Curtir um Barato (Meu Bem)" e assim por diante.

Violeta de Outono: a banda do guitarrista Fábio Golfetti voltou às origens etéreas, com sangue novo na formação. Fábio está bem acompanhado pela cozinha (baixo e batera) do extinto The Charts.

Astromato: uma daquelas bandas garimpadas em nossa montanha de demos. Canções poderosas soterradas sob o peso de guitarras distorcidas. Estes campineiros não estão pra brincadeira.

Devotos: rapaziada que tornou famoso o Alto José do Pinho, em Recife, como celeiro de bandas. O raçudo trio acabou de gravar seu segundo CD, chamado Devotos. Quando o primeiro foi lançado eles ainda se chamavam Devotos do Ódio.
Itamar Assumpção: um dos grandes batalhadores entre os "malditos" (por que não benditos?) da MPB. Sua música reflete toda a sensibilidade e o esmero com que sua cabeça pensante compõe.

Bônus track TRIP:
Olivia: Baladas etéreas, low rock, vocalises árabes, psicodelia e ritmos eletrônicos - a afinadíssima Olivia estréia em disco de sonoridade mezzo hip hop mezzo blues, cercada por uma banda criativa, comandada pelo produtor e maridão André Namur.
Confira, ainda, na faixa multimídia do cd: o Videoclipe Musikaos e o Trailer do filme Tendrel

 
TRIP #81
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