Isabeli sentada na cama, suas pernas cruzadas, um vestido de verão comprido e solto, não há mangas, o decote, generoso. “Foi aqui”, ela mostra no braço a marca, “e aqui” — levanta o vestido com gestos rápidos, o pano flutua leve para cima e para baixo, faz ondas, ensaia por vezes mostrar, aí ela o contém. Expõe-se: o vestido sobe à metade da coxa e, recatada, ela o puxa abaixo, aponta o joelho.
São três marcas, cicatrizes em círculos. “Nem escondo, nem mostro, se o fotógrafo quiser tratar depois que o faça.” Sempre tratam. Apanhava do irmão mais velho quando menina, o tio a defendia. Dos cascudos fez uma crosta grossa para nas ruas de Curitiba virar moleca. Um dia, a amiga na garupa da Caloi Ceci, enfrentou a ladeira a toda. Desequilibrou-se. Foram ao chão: daí as cicatrizes de Isabeli.
O pai era representante comercial da Hering. Ela enchia a sacola de roupas, buscava o elevador, subia ao último andar e de lá ia descendo: fazia um dinheiro. Aí falaram que devia ser modelo. “Mãe, modelo faz dinheiro?” A mãe respondeu que sim. Treze anos, finais mundiais do concurso da Elite, França. Primeiros mil reais, nunca vira tanto. Catorze anos, a mãe se separou, pegou a filha, Milão. Dezesseis anos, Isabeli comprida que só — lânguida. Esbelta: catálogo da Victoria’s Secret. Menor de idade, escândalo nos EUA. Virou supermodel.
Nunca fumei na Jamaica
Ela sorri. O rosto tem poucas curvas, o nariz é delicado, os olhos, de um azul profundo. Sorri de novo. Isabeli fala sorrindo, primeiro no sofá do quarto do hotel, depois ela e seu interlocutor à cama, ela sentada num canto, ele noutro. Ela levanta e se posta à varanda, retorna, liga o som e o desliga, liga o ar. Isabeli se mexe, é agitada. O vestido vai junto. O interlocutor se concentra no rosto: um deslize, não pode.
Antes do quarto, na sala, a mãe está presente. Acompanha: “É assim, sempre foi. Se ela se apaixonar por você hoje, amanhã já quer casar. Se algo vem à cabeça, nem pensa, já vai falando, não importa se magoa alguém, se vai causar polêmica. É toda coração, não pensa”.
Tem filho, casa, separa. Casa, tem filho, separa. Live fast, die young. “A parte do die young não.”
Brasileiríssima até em Nova York. Brigou com o namorado, o modelo Alessandro Jacomossi, e se enfurnou na Plataforma, a churrascaria carioca com filial na corte. Encheu a cara de caipirinha. Viajou com o namorado no dia seguinte pra Jamaica e não se agüentava. No segundo dia, o enjôo permanecia. No terceiro, também. Comprou os testes: positivo, positivo, positivo. Atravessaram a cidade de moto, ela abraçada a ele, fila de hospital público. “Parabéns, a senhora está grávida.” Tinha 19 anos. “Agora a gente casa.” Convocou a mãe de volta — havia expulsado a pobre um ano antes, quando fez 18. Zion nasceu em Nova York.
“Gosto da Jamaica. De pele negra. Daquela força. De reggae.” Cannabis? — pergunta o homem que a visita. “Nunca fumei maconha na Jamaica”, ela responde.
A amiga de Curitiba ao lado: “Com a Isabeli nunca é o que ela quer. A gente tava na boate outro dia, bateu quatro, ela falou ‘vamos?’, aí eu disse cinco e meia, quando voltei ela já tava conversando com um sujeito e aí quando deu cinco e meia ela falou ‘cinco e meia, agora vamos, né?’ e viemos”. Isabeli ri, faz barulhinhos enquanto ri, quase uma gargalhada. “Eu fiquei conversando com aquela bichinha, não é?” E todas riem.
“Quando tiver 60 anos vou ser bonitona porque vou fazer muita plástica.”Aí pensa. “Tô sentindo que a idade tá chegando, queria ter 18 ainda. Virei mulher adulta muito rápido.” Tem 23. Zion está com cinco, Lucas com seis meses.
Casou-se com o ator Henri Castelli, pai de Lucas, numa festa na praia. Ela de vestidinho curto, liga branca, ele também de branco, foram à água, o corpo da moça solto e molhado, todo de branco, estampado nas capas das revistas.
No quarto de hotel, a Contigo, a Vogue, revistas espalhadas por toda parte. “Gosto mais da Cláudia e da Nova, mais da Nova, por causa das coisas picantes de sexo que gosto de ver. Aí outro dia estava na banca, olhei pra Trip, ‘nossa, quero fazer essa revista, aqui a gente se mostra como é’, não falei isso?” A amiga faz que sim, a assessora: “Aí é que mora o perigo”. “Quero um ensaio assim, rock’n’roll.”
Nua, só por 1 milhão de dólares
Lucas nasceu, os sites todos falando que ela estava se separando, e na conversa diz que sim, diz que não, esquece que negou e já insinua outro. “Homem tem que ser muito homem e muito carinhoso, tem que proteger, tenho que saber que está comigo. Eu não queria que ele estivesse triste porque eu não estou. Agora não caso mais. Vou ter dez filhos, um de cada homem, mas sem casamento. Brincadeira. Talvez case, não sei, mas quero namorar antes, ficar um tempo morando em casa diferente, vou ser difícil agora, não vou ser rápida assim, não. Tem que ter um feeling, um sentimento. Não sei se já amei. Vivi muito. Vivi uma paixão muito forte. Muito. A não ser que eu perceba que gosto muito. Aí caso. Mas vou resistir. Não vai ser fácil assim, não.”
Ainda está cercada dos de Curitiba, Isabeli. De Paris a Milão, de Nova York a Curitiba. O séquito: duas amigas de infância, a mãe, Zion — Lucas ficou com o pai. “Quando meu tio morreu, você vai dizer que foi sonho, ele apareceu na minha janela, levantei, tinha uma luz em cima, fui abraçá-lo e ele disse que não era hora ainda. Eu acredito nisso. Que a gente desencarna. Sou honesta. Minha maior qualidade. Uma vez, deitei e saí do corpo, subi, me vi lá de cima.” Isabeli é toda família.
Nos primeiros dias de modelo, antes da fama, antes do sucesso, Isabeli dormia. Batia um vazio, deitava na cama, dormia. Por horas. Quando acordava, o cansaço permanecia. Aí, com a primeira gravidez, isso passou. Agora são fotos para a Trip, daí volta a Nova York. De novo, o ciclo: sem marido, agora com dois filhos. Um dos nomes mais conhecidos da moda mundial.
“Há uns anos eu diria que não. Mas eu posaria nua, sim. Sei lá. Por um milhão. De dólares se for lá, de reais se for aqui. Fico tímida quando estou nua na frente das câmeras.
Teria que ser algo sensual, suave. Por enquanto, só mostrando assim, um pedaço da perna sem calcinha, quase nada.”
Ou então muda de idéia.
Carpe diem.
Coordenação Geral Jadi Stipp Produção Alex Missaka Assistente de produção Ana Cabral
Assistente de fotografia Romildo Silveira Estilo Carolina Gold Make/Hair Max Weber Assistente Make/Hair Cristiane Biato
Moda Wolford (11) 3088-8279 Virgin Again (11) 3088-6369 Brechó Minha Avó Tinha (11) 3801-4124 Guerreiro (11) 3088-8922 Swarovski (11) 5182-5111 Chapéus Daisy e Ruth (11) 3812-4115 Malu Monteiro www.malumonteiro.com Christian Dior (11) 3061-9299
Agradecimentos Pousada Mar de Jurerê (48) 3282-1388 www.mardejurere.com.br / Royal Music (11) 5535-2003 www.royalmusic.com.br / Wilfredo Gomes |