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Fernanda Caleffi adora uma micareta. Fernanda Caleffi é uma micareta. Quando passa numa avenida, dessas comuns, em que os passistas seguram pastas à guisa de pandeiros, em que os mocassins fazem as vezes de chinelinhos, e a compleição séria da rotina empresarial substitui o sorriso dos foliões... Quando Fernanda Caleffi passa numa avenida dessas, promove uma revolução.
Ao desfilar numa passarela de banalidades, em que a arquibancada é um amontoado de lojas e os carros alegóricos são sedãs com teto solar, a modelo foliã convoca um bole-bole dentro das calças alheias, palpitações no compasso do samba e um Carnaval fora de época eterno no espírito.
Ela é assim. Uma simpatia brilhante, uma pele cor de doce de leite, 25 anos recém-completados e vividos intensamente na algazarra matreira dos cordões cheios de axé. É desse tipo de gente que não usou babadinhos, sainhas e conjuntinhos de bebê talquinho. Dá pra apostar uma apuração de escola de samba que mamãe Caleffi meteu, em algum momento entre o primeiro gugu e o segundo dadá, um abadá com a miniatura de um pica-pau cheio de plumas e paetês.

Uma odisséia bronzeada
No dia em que veio à Trip para esta entrevista, Fernanda trouxe no bolso de sua calça jeans, que mostrava um bocadinho sapequinha da calcinha colorida, uma história épica.
Sob um sol coruscante, a menina tomou a condução na Vila Mariana, bairro residencial de São Paulo onde mora com duas amigas, e desembarcou no Largo da Batata, um pedaço peculiar da cidade. Ali, tudo pode. Entre uma clareira cheia de ambulantes e apinhada de lojas, uma porção de carros e calçadas polvilhadas de camelôs, o povo brasileiro torna-se mais povo e mais brasileiro.
Perdida nesse mar de gente, Fernanda foi às falas com a escoalha. Com o endereço da Trip num pedaço de papel, sorriso no rosto e a mais completa falta de direção, perguntou.
- Moço, sabe onde que é essa rua aqui, ó?
O moço sabia. Disse que era pra lá. Não era. Perguntou a outro. Que também sabia. E a mandou para outra direção. Nessa caminhada infindável rumo à redação, Fernanda caiu em pegadinhas involuntárias. E bebeu do próprio caldo.

Do reclame
Você conhece Fernanda Caleffi de algum lugar. Dos domingos, aliás, quando, ao lado de um Sérgio Mallandro cover, ela anima a saída dos motéis num quadro do Pânico na TV, o “Salci Fufu”.
“Cara, eu me divirto muito. Os caras do Pânico são muito engraçados. Gosto de lá...” Ainda que seja a mais absoluta verdade, por trás dos olhos verdes da moça há uma nesguinha de tristeza.
Uma investigação mais insistente começa a revelar as dores do coração. “É... Tô com uns problemas nessa área.” Por “essa área” entenda o amor. Fernanda diz que é ciumenta, apaixonada mas exigente. “Não gosto de homem meloso, grudento. Gosto de cara que não fica muito em cima. Odeio ganhar flores e jóias. Homem que trata bem demais me cansa, sabe?”
Mulher de malandro? “É, um pouco. Eu gosto de apanhar... Não fisicamente, claro. Mas gosto de cara que não fica babando... Que se garante.” Mas deve ser bem difícil ser esse homem sem babas que a Fernanda quer.

Que malandrinha... Rá!
Ela é esguia. Absolutamente cheia de curvas, ainda que magrinha e durinha. Não tem silicone. Conta que não tem nada contra quem tem, mas, meu amigo, vou te falar que ao vivo ela de fato não parece precisar, e é muito, muito melhor do que pelo monitor. Fernanda é um poço de charme e traquejo. Um bom humor que certamente reflete as lições de um de seus maiores amigos.
“O Serginho? Nossa, eu trabalhei com o Serginho. Eu sou amiga do Serginho.” E por Serginho leia o Mallandro original. Ela foi mallandrinha durante um ano. Explica que aprendeu muito. De lá, guardou a amizade com a família do capeta em forma de guri. E um certo rebolado.
“Ele é muito divertido. As pessoas ficam dizendo que ele é mó xavequeiro, que traça todas... Mó viagem. Ele é muito divertido, inteligente. Claro que, se bobear, ela ataca. Mas a gente é só amigo.”
Desse jeito, vivendo entre pegadinhas e cascatas de alegria, Fernanda engrena em outro tema que a faz sorrir de covinha a covinha. A tal da micareta do começo.
“Meu, adoooro pagode e Carnaval. Sambo na Mancha Verde aqui em São Paulo. Amo. Vou te contar até uma. Uns dois meses atrás, eu estava numa micareta, em cima do palco, dançando muito. E você acredita que o palco desabou?”
Pegadinha, Fernanda?
“Não, não. Dessa vez foi sério. Quebrei o pé.”
Ah, sua malandrinha...
Rá!

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