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Thaila, 20 anos, vive entre a febre e a dor de cabeça. Sempre foi assim, desde menina, em Presidente Prudente (SP). Terra quente, terra roxa, terra de jaboticabais e mangueirais, onde nossa heroína ficava horas se lambuzando... olhando os meninos lá de cima. Os meninos se assustavam com aquela morenaça magrela: “Sim, ouvi algumas vezes ‘você me assusta’, de alguns caras... Mas sempre tem quem não se espante com meu jeito impulsivo”, ela conta ao repórter em seu sotaque de modelo globetrotter, entre o caipira, o carioca e o gaúcho. E leva a mão à testa: “Não acha que estou um pouco quente?”.
Sim – a redação da Trip, os vizinhos, os passantes distraídos da rua, todos têm certeza disso. Será o veranico de inverno? Dá pra subir um pouco o ar-condicionado, por favor? Porque Thaila Ayalla Salles, mulher de nome cheio de consoantes líquidas, vive a vida entre a febre e a dor de cabeça. Às vezes mergulha em lágrimas quentes. Como em sua chegada à Coréia, sozinha, aos 15 anos, início da vida de modelo, depois de uma temporada em São Paulo. “Chorei um mês direto, sentia saudade de minha mãe, irmãs, meus primos...” Ou seja, nem tudo são flores na vida de Thaila – que, em tupi, significa “estrela”. Quando morou sozinha uma temporada em São Paulo, logo após o fim do seu casamento, não agüentou – e quase sucumbiu à depressão. “A verdade é que não consigo viver só. Preciso estar rodeada de gente!” Ei, espere aí, casada aos 19 anos? “É, me casei com 17. Besteira de menina que acha que é madura e acha que o amor é pra sempre.” Entre a febre e a enxaqueca, não há aspirina que sustente um casamento. Thaila partiu. E nunca mais voltou. “Amor, sabe? Amor parece que se esgota. Tem que conquistar todo dia...”, filosofa. Para dar vazão ao calor, até saiu de São Paulo. Mora agora na Barra da Tijuca, Posto Um, numa república com amigos artistas, atores, músicos. Passeia no calçadão, faz ioga e pratica muay-thai. Descolou um lugar na oficina de atores da Globo, brincou de atriz em Malhação e hoje, já levando a profissão a sério, pode ser vista como a volúvel Marina, na novela Páginas da Vida. Os olhos parecem meio mormaços, agora, e a cabeça dói.. ela espanta a leseira folheando O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini. Se cuide, moça. “Sim, vou ao hospital mesmo, tem razão...” Vá, Thaila. Mas se lembre – entre a enxaqueca e a aspirina, às vezes é mais saudável continuar com febre. Em tempo: ela já sarou da pneumonia. Os freqüentadores do Posto Um vão voltar a reclamar – nunca fez tanto calor como agora.

Coordenação de produção Jadi Stipp  Produção Alex Missaka  Estilo Lydia Bassi  Make/Hair Camilla Moraes 
Assistente de fotografia Pedro Abreu

Créditos Any Any 0800.7703288  Verve (11) 3083.7431  Jogê 0800.118555  Nu Lux.e (21) 2472.9333  Iódice (11) 3085.9310  Nem (11) 3024.3830  Colcci (11) 3823.2808

Agradecimento Andrea Simonetti