Tão logo aportamos no resort, nosso grupo foi conduzido para quartos amplos e sossegados para um período de lazer, mordomia, comilança, leituras e tombos, muitos tombos. Nossa primeira manhã foi monumental como o restante dos outros dias. O nascer do sol assemelha-se às pinturas de Van Gogh. As tonalidades de cor rasgam o horizonte com matizes da era do gelo. Não existe tempo ruim em Valle Nevado. À medida que você vai se aperfeiçoando nas descidas da montanha e pegando a manha na tabla (prancha) a experiência é alucinante. Valle Nevado dispõe de todo tipo de pista para os fissurados em adrenalina na neve. Você pode se tornar um “bip-bip” qualificado ou um papa-léguas iniciando aulinhas com alguma turma de iniciantes ou de adiantados. No meu caso, decidi na caradura me largar montanha abaixo. Com o universo conspirando a favor percorri impecavelmente as descidas do topo do teleférico do El Mirador. Capotes, tombos, freadas, falta de ar, peitadas, cabeçadas e um corpo com algumas dores foram o resultado dos primeiros dias experimentando as montanhas paradisíacas. Uma piscina coletiva a céu aberto é o instante mágico de relaxar imerso em água quentinha ao lado de desconhecidos. Jeitinho para conhecer e trocar olhares com quem não está morto. Se você extrapolou nos movimentos, e está sedento por uma massagem, não fique triste, existe um spa turbinado à sua disposição. Massagem, carinho, oxigenoterapia, sauna, drenagem linfática e outras mamatas personalizadas. Foram cinco dias da mais intensa atividade física. Saí do local com o corpo no ápice do tônus muscular e cheio de amor para dar. Vai lá, o céu não tem limites na cordilheira do Andes.
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