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“A partir de hoje não fumo, não bebo, não como carne e não tomo mais banho quente.” Foi isso o que decidiu Cristovão de Oliveira quando completou 22 anos de idade. Até então gostava de circular pelo ABC paulista, onde vivia, parando de bar em bar, bebendo, fumando e madrugando como qualquer jovem de sua idade. Ele iniciava ali uma série de mudanças em sua vida que culminaria na sua relação com o sono. “Depois que mudei esses hábitos, comecei a controlar sensações como frio e fome com mais eficiência. Mais tarde, o próprio sono.”
Hoje, aos 41 anos, Cristovão se tornou um dos professores de ioga mais respeitados do país, e com uma visão bem singular da prática tão na moda atualmente. “A pessoa vai lá, faz as posturas, respira e sente. O que tem de espiritual nisso?”, provoca. Cabeludo e sorridente, mora na serra da Cantareira, zona verde que circunda a cidade de São Paulo, é casado com uma linda mulher e tem três filhos. E detesta dormir, acha perda de tempo. Seu sonho é precisar só de 15 minutos de sono. Por enquanto dorme cinco horas, no máximo. Dorme, não – fica em estado de vigília, segundo ele. Cristóvão passa a maior parte da noite num estado de relaxamento profundo, de olho no que se passa ao seu redor. “Tenho a sensação de que estou interagindo com o mundo lá fora, mas não estou. É só a mente que está em alerta”, explica. Adriana, sua esposa, conta que achava tudo isso muito estranho no início. Mal se mexia, ele já acionava os braços. Se ela levantasse para um xixi, o marido imediatamente perguntava se estava tudo bem.
Estado de alerta
Cris, como é chamado, ensina exatamente a técnica que aprendeu na Índia com o papa do ashtanga ioga, Sri. Pattabhi Jois, em 1994. Foi lá que ele também se aprimorou em técnicas de meditação, exercícios respiratórios e participou de um projeto chamado Kundalini. Durante 40 dias, com eletrodos grudados pelo corpo, foi testado por médicos da Universidade de Bangalore, que observaram seus estados de consciência acordado, meditando e dormindo. Convidado a participar do projeto por um monge de um dos centros por onde havia passado no Oriente, começou a entender o que acontecia com seu corpo quando fazia as doideras de que gostava desde jovem. Constatou, através dos resultados dos testes, que tem, por exemplo, uma grande facilidade de entrar em alfa, estado de concentração plena no qual todos os lóbulos cerebrais (frontal, lateral e traseiro) ficam harmônicos. “Conseguia harmonizar os três em um minuto e meio”, lembra. “Normalmente as pessoas levam 20 minutos.” Foi aí, também, que ele entendeu o estado de vigília em que passava todas as noites desde os 20 e poucos anos. “Até então eu achava que não dormia. Os testes me mostraram que, sim, eu dormia, mas em estado de alerta.”
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