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Garotos de 19 anos sofrem dos mais variados tipos de paixões. A de Thiago Roberto (o nome não é fictício), um jovem que se auto-adjetiva ansioso e compulsivo, são os estimulantes e tranqüilizantes, ou seja, os remédios para dormir e para não dormir. O primeiro encontro aconteceu há dois anos, em uma noitada em Assis, cidade de 93 mil habitantes no interior de São Paulo, onde Thiago Roberto, um estudante pré-vestibular para a faculdade de moda, mora com os pais. Bastou ele comentar que estava cansado, com um amigo, que ela chegou. E assim foram apresentados. Femproporex, Thiago; Thiago, Femproporex.
A anfetamina, regulamentada no Brasil como fármaco inibidor de apetite, fez seu cansaço desaparecer e a festa durar horas e horas. Essa noite Thiago Roberto concluiu que, com ajudas externas, poderia exercer um autocontrole sobre seu corpo. Tanto que hoje sua canção de ninar mais parece um verso de Arnaldo Antunes. Femproporex, Dualid, Tranquinal. Femproporex, para manter-se acordado, Dualid, para emagrecer, e Tranquinal, para dormir. Todos remédios de venda controlada. Thiago Roberto paga mais caro e os consegue sem receita médica. Ele diz que só foi ao médico uma vez porque começou a ter insônia e pesadelos depois de tomar o Benflogin, um antiinflamatório que produz efeitos semelhantes ao ácido lisérgico. “Ele disse que eu tinha sofrido intoxicação e não poderia me passar nada, que eu precisava tomar muita água, correr, fazer sauna.” Thiago Roberto não correu, não fez sauna e não tomou muita água. Por conta própria, tomou um Tranquinal e tudo ficou legal. “Tomar remédio é muito mais fácil e os efeitos são mais rápidos.” Hoje, se Thiago Roberto não tomar nada antes de dormir, acorda cinco vezes no meio da noite, e mesmo quando dorme não consegue descansar. “Acordo no mesmo estado em que fui dormir.”
O jovem de Assis não é o único que pensa assim. A química é perfeita: nós, loucos por soluções rápidas; a indústria farmacêutica, louca por dólares. Só nos Estados Unidos, o mercado de drogas do sono movimenta cerca de 2,5 bilhões de dólares por ano.
O número preocupa. Tanto estimulantes quanto tranqüilizantes possuem diversos efeitos colaterais e grande risco de dependência. O Femproporex que Thiago Roberto tanto adora, por exemplo, promove um aumento na atividade mental e física do usuário, seguido mais tarde por fadiga e depressão. O uso prolongado pode levar à dependência e um indivíduo dependente de anfetaminas pode apresentar comportamento irracional, anorexia, insônia, agitação, tremores e alucinações. Mas a indústria farmacêutica, é claro, já está trabalhando em fórmulas menos nocivas.
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