A imigração italiana não foi uma beleza? Não acabassem por aqui porções e porções de Matteos e Giulianas que escapuliram do país da polpeta, em busca de um sonho cheio de orégano na terra nostra, era bem possível que a descendenti Letícia Reis não fosse paulistana, nem Letícia e muito menos Reis.
Ah, mas eles vieram. Eita gente belíssima! Esse povo não leva sangue nas veias. Leva um delicioso molho ao sugo. Donde depois de ter visto tudo isto, este ensaio de estalar a língua e afrouxar o cinto, agradeça satisfeito a São Genaro e mande buscar uma pizza...
Letícia Reis é um estouro. Faz valer cada um dos sofrimentos do poeta Dante naquela viagem metafísica em classe econômica; torna as árias de Puccini um sinônimo viável dos amores impossíveis; dá aos pagliacci de Fellini uma razão para chorar, sem medo de borrar o nariz de pipoca. Ela vale. Vale tudo.
E isso porque só tem vinte aninhos. Imagine-a daqui a algum tempo, curtida em vinho, amadurecida na adega das belezas sóbrias? Já vejo: cabelos ruivos, pra atiçar o fogo coletivo; a formosura total dos traços suaves, sem cortes rudes, numa singeleza de curvas que... Ah, você já sabe tudo das curvas da Letícia.
O que você não sabe é o que acontece quando a femme mira suas duas jabuticabas na direção dos olhos do interlocutor para revelar os seus mimos:
“Sou muito sentimental, muito exigente. Para me conquistar tem que ser fiel, sincero, passar segurança. Não precisa ser lindo, mas feioso também não... Beleza vem em segundo plano. Só digo uma coisa: os vagabundos que fiquem longe de mim!”
Uma dama... Aguarda-se para breve a redução brutal na quantidade de canalhas, em prol da expansão da lista de pretendentes de Letícia e com benefícios involuntários para a humanidade. É, ela pode...
A pequena é decidida como só os calabreses com um pau de macarrão na mão conseguem ser. Tão exigente que só teve três namorados. Nenhum deles durou mais que oito meses...
Mas aposto um bife que sua vontade, meu caro internauta, era estar nesse pódio. Aliás, aposto outro bife que sua fome agora não é de muitas palavras, mas o desejo de passear na terra dos sonhos a dois. Uma taça de vinho e Letícia na ponta da mesa, à distância apenas da luz tremeluzente de uma vela. Imaginou? Dá vontade de encarar um céu de estrelas cadentes, tropeçar numa lâmpada das arábias e quebrar o pedacinho maior do ossinho do frango. A realidade é muito triste...
A baba que pende sobre o queixo coletivo é o elogio involuntário do corpo diante das forças da natureza. E venhamos que a natureza caprichou um bocado nessa doçura de garota...
O problema definitivo das palavras é que elas, disse um sábio da publicidade, valem um milésimo das imagens. De que adianta falar? Letícia Reis basta. Letícia Reis se basta. As vinte e quatro fotos deste ensaio são suficientes. Elas escrevem, com muito mais do que letras, o pequeno e definitivo evangelho da beleza sapeca. Cala-te boca.
Coordenação de produção e estilo Juliana Hirschmann Assistentes de foto Márcio Suzuki e Ana Rabelo
Make Emerson Murab Agradecimentos de moda Cia Marítima, Rosa Chá, Super Lucy e Havaianas
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