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// Seu cotidiano faz mal ao planeta

// Seja feita a  sua vontade

// O luxo do lixo

// A sustentável
leveza do ser


// A arte do encontro

// Tubos & conexões

//Editorial

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Lá estão as vaquinhas no pasto, comendo e ruminando placidamente, apenas sendo – tipo essa, capa de um famoso disco do Pink Floyd. Por trás (e pela frente) desta singela cena bucólica esconde-se uma ameaça invisível à vida na terra. Enquanto digerem os alimentos, esses animaizinhos soltam saudáveis gases – conseqüência natural do processo digestivo. O problema é que seus arrotos (e em menor escala, peidos) estão empesteados de metano, o segundo maior causador do efeito estufa. A fermentação entérica dos ruminantes é responsável por cerca de 70% das emissões de metano no Brasil, onde temos a modesta população de 170 milhões de cabeças de gado, segundo maior rebanho bovino do mundo (atrás da Índia, onde o gado é sagrado – mas também arrota). “O boi não é um vilão, estamos pesquisando formas de diminuir a emissão sem prejudicar a produção”, pondera Magda Lima, pesquisadora da Embrapa, órgão governamental de pesquisa agropecuária. Não é a única poluição causada pelos ruminantes. Um dos maiores responsáveis pela emissão de gás carbônico no país é justamente o desmatamento de florestas para a criação de pastos (imagine quantas árvores são derrubadas no mundo para abrigar o 1,2 bilhão de bois e vacas). De todo o desmatamento da Amazônia, por exemplo, 75% são ligados ao pecuarismo, segundo estudo do economista ambiental Sérgio Margulis. Por fim, ainda há quem defenda que as plácidas vaquinhas ainda “poluem” nossos corpos. “Existe uma correlação direta entre o consumo de carne vermelha e o aumento do número de casos de câncer, principalmente de intestino e de cólon”, afirma Benedito Mauro Rossi, cirurgião oncologista do Hospital do Câncer.
Sabe aquela casa noturna escura e enfumaçada onde você vai para encontrar amigos, tomar uns tragos, “relaxar”? Esse lugar possivelmente tem 50 vezes mais partículas cancerígenas do que uma estrada lotada de caminhões a diesel, tem o nível médio de fuligem de um túnel na hora do rush. Essa é a conclusão de um estudo recente do pesquisador americano James Repace, da Universidade de Tufts, em Boston. O vilão da história é, mais uma vez, o cigarro. Aquele mesmo cigarro que faz com que você queira escalpelar seus cabelos e jogar fora sua roupa, de tão fedidos ao final da noite. Outra pesquisa do mesmo Repace, de 2004, mostra que de cada 40 mil funcionários de casa noturna 97 morrem anualmente por conta do fumo passivo. Esse número é igual ao total anual de mortes por acidentes em toda a indústria australiana. “Ninguém repara muito porque é um ambiente feito para dar prazer”, afirma Paulo Saldiva, médico especialista em poluição da Faculdade de Medicina da USP. “Fosse uma britadeira no ouvido e um caminhão soltando fumaça todo mundo reclamaria.”
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